
A edição do livro de Joma Sipe “Afoguei-me Em Ti” pertence à
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Alguns dos 54 poemas que constituem o livro podem ser lidos seguindo o próximo índice. A estrutura do livro é tripartida, formando uma estrutura tríplice, o número da criação. A capa do livro "Afoguei-me Em Ti" foi elaborada por adaptação de uma pintura de Joma Sipe entitulada
Requiem II.O primeiro capítulo “Os Dias Da Criação Ou O Depois De Ti” é composto por 12 poemas e aborda a emanação primordial da criação e o antes da Guerra Celestial e Interna que é amar egóicamente, é o antes do próprio começo, quando a unicidade era tudo o que existia e nada mais era necessário. Mas neste momento também surgem os medos e as carências e o domínio do ego prevalece, conduzindo à procura por mais algo que satisfaça, para além do que já existe.
O segundo capítulo “Os Dias Da Vida Ou O Contigo E O Sem Ti”, composto por 30 poemas, cada um intercalado por uma pausa, forma a triplicidade, dentro da estrutura, já, por si mesma, tríplice. Aí é retratado o mundo da existência e da perda, do ter e do não ter, do querer e do desejar e do nada haver, é a luta entre os opostos, sempre conseguindo e perdendo, um mundo de guerras internas pela supremacia do sentimento, para além da razão e dos mundos que deveriam ser como se quereria que fossem, mas que não são, mas que são o que são.
O capítulo final “Os Dias Do Apocalipse Ou O Depois De Ti”, também constituídos por 12 poemas, constituem o epílogo do sofrimento e da felicidade e libertação que existem para além da dor e da perda. As pausas em cada uma das estruturas poéticas formam o descanso, o interregno em que há um hiato, um pequeno e fugaz momento de libertação, das névoas mundanas e da obscuridade do próprio sentimento, envolvido pela dor. Nessa pausa observa-se a razão do sofrimento e da inutilidade deste, e de como o sofrimento está inerente a um mundo caótico de dor e ilusão, que forma a causa de toda a infelicidade dos seres. Este último capítulo, o “Apocalipse”, fala da destruição de mundos e ilusões, do abandono da perda ao seu próprio lar, deixando a dor, para procurar o céu da liberdade e, por fim, de um mundo de primordial felicidade, como existia no capítulo da “Criação”.
Parte I – Os Dias Da Criação Ou O Antes De Ti
I. O Começo de Tudo II. Os Dias Seguintes III. Eu Sou IV. A Paz Dentro De Mim V. Sou A Árvore De Todo O Amor VI. A Terra VII. Ego Sum Aquae Vitae VIII. A Idade Da Terra IX. Peregrino Do Esquecimento X. A Roda Da Vida XI. Uma Infância Vestida De Inverno XII. Consorte Da LuaParte II – Os Dias Da Vida Ou O Contigo E Sem Ti
XIII. Tão Longe XIV. Aqui Estou XV. Afoguei-me Em Ti XVI. A Casa Junto Ao Mar XVII. Era Inverno, Lembro-me, Quando Te Conheci XVIII. O Silêncio De Minha Mãe XIX. Um Relógio De Areia E Sal XX. A Partida XXI. Amor De Mãe XXII. Acalmando As Tempestades XXIII. Quero Um Mar Para Me Afogar XXIV. O Bater Do Meu Coração XXV. O Prazer Do Meu Corpo E Nada Mais XXVI. Estátuas De Coral XXVII. A Voz Do Vento XXVIII. A Primeira Gota De Sangue XXIX. A Entrega XXX. A Travessia Da Ponte XXXI. Pérolas de Dor XXXII. Principium Et Finis… XXXIII. A Prisão Da Tua Dor XXXIV. Sodomah A Arder XXXV. E A Tua Boca Sabia A Mar XXXVI. Uma Prisão De Lágrimas XXXVII. Pastor De Estrelas XXXVIII. As Vindimas De Outono Nos Meus Olhos XXXIX. A União Entre O Vento E O Mar XL. Os Rios Pálidos XLI. A Mortalha De Fogo XLII. Morreste-me Naquele DiaParte III – Os Dias Do Apocalipse Ou O Depois De Ti
XLIII. Minha Alma Sobre A Falésia XLIV. Os Dias Diferentes XLV. Lágrimas Sobre A Terra XLVI. Abriga A Minha Alma Junto A Ti XLVII. Coração De Gelo XLVIII. Rios Flúem XLIX. A Muralha Do Silêncio L. O Negro Pano LI. A Escolha LII. A Negação LIII. A Grande Catedral LIV. A Morte Do Meu CorpoNessa fonte de luz divina inesgotável.
Em meu redor uma aura de luz resplandecente habita,
e todos os seres da terra vêm dançar nas pupilas dos meus olhos.
O céu e a terra a mim pertencem,
e na imensidão do cume das montanhas me encontro e nada me fala de ti.
Estou só e sou simultaneamente tudo e a vida inesgotável flúi de mim para o mundo.
I. O Começo De Tudo
Neste lugar tão só,
Vi, com a visão dos mortos, mundos deslumbrantes e planetas de imensidões,
de planícies, montanhas, vales e mares e eu era um só.
Um só sobre a terra, que a visão da minha fronte teimava em manter à superfície dos meus olhos.
E não mais algum ser habitava agora a terra em que nasci.
Só. Na imensidão de tudo. Eu era tudo.
Tudo aquilo que existia e não existia.
E os ribeiros transportavam o meu sangue,e os mares fabricavam ondas com os líquidos das minhas entranhas,
e das minhas lágrimas era fabricado o sal do mundo.
Os meus olhos eram a luz da noite e abarcavam a imensidão dasestrelas e tudo o que brilhava.
Dos meus lábios era colhido o vento com que eram fabricadas as tempestades,
e da minha boca toda a criação recebia alimento.
Dos meus cabelos fizeram-se paisagens,
e de todo o meu corpo vales e montanhas eram criados,
e tinha em mim todas as cores do arco-íris,
e era eu que libertava os relâmpagos nos céus,
e depositava chuvas sobre as colheitas, chorando sobre o mundo.
Aos meus ouvidos e ás minhas narinas eram recebidos os clamores das flores,
e o odor do nascer do sol.
E quando o sol se deitava, vestia-me de noite e coroava a minha fronte de estrelas.
Nesse momento sentia-me tão só.
Porque era tudo e nada tinha.
Voltar ao indiceII. A Paz Dentro De Mim
Se não te sentires em paz vem para junto de mim.
Eu que tenho em mim a inocência dos gatos persa e a fragrância dos perfumes do Líbano.
Em mim crescem altivas as ciprestes da pérsia,
dentro da paisagem rochosa e árida das minhas mãos.
Junto a mim repousam os leões da África,
e as panteras negras da índia, em meu redor encontraram seu refúgio.
Nos meus cabelos encontrarás os movimentos das anémonas-do-mar,filhas das profundezas invisíveis.
Encontrarás o fio que as Parcas tecem nos templos de mármore do infinito.
Os meus olhos possuem a seda das arábias só para te acalentar,
e nos lagos tão em paz do meu olhar vislumbrarias a leve ondulação do mar,
quando as sereias vêm beijar a costa.
Se viesses para junto de mim, cobrir-te-ia de pétalas de flores de mil cheiros,e depositaria no teu coração uma chama que jamais se extingue,
e que se alimenta continuamente do vermelho do meu sangue.
Voltar ao indiceXV. Afoguei-me Em Ti
Atirei-me ao fundo do mar,
mal soube que jamais voltarias e que o negro da tempestade se tinha abatido sobre ti.
Vi as rochas lá no fundo e pensei serem sereias que por mim chamavam.O seu grito fez-me entrar em transe e jamais me relembrei de ti,
das tuas palavras e do teu rosto,
pois perdi-me para sempre nas profundezas do oceano e não mais regressei.
Quando o fogo-fátuo das manhãs claras de Inverno ma fazia lembrar de ti,
recolhia-me no anoitecer,
pensando que eras apenas uma ilusão.
E sempre o foste, não é verdade? Nunca apareceste no meio das brumas,como me dizias que sempre voltavam aqueles que haviam partido.
E eu sempre esperei,
por ti,
à noite e todos os dias,
mas tu nunca voltaste.
E as névoas azuis sobre o mar transformaram-se em negras nuvens,
e eu de novo entrei em transe e perdi-me dentro de mim mesmo.
Atirei-me de novo ao mar julgando fugir de ti,mas tu já tinhas partido e, apenas, no horizonte,
as velas negras do barco onde navegavas, ardiam agora,
mostrando que ali estavas, mas por apenas mais alguns segundos.
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XXII. Acalmando As Tempestades
Agarrei-te nos meus braços para que pudesses acalmar os ventos.
Apetecia-me chorar,
mas as lágrimas teimavam em inundar a minha face de água salgada e morna.
Lembrei-me do meu rosto sendo limpo com um pano,
mal deixei a cruz cair pela terceira vez naquele dia de horas mortas e vermelhas,
como vermelho era o meu rosto naquele dia.
E alguém secou minhas lágrimasabandonando o meu rosto à suavidade de uma mortalha de linho branco
e suave que só senti quando pela primeira vez me embalaste nos teus braços
e me disseste que querias ver comigo o pôr-do-sol naquele fim de tarde
e em todas as tardes da tua restante vida.
E estava vento. Como vento existiu sempre também nas entranhase subterrâneos pouco iluminados de minha vida interior.
Vento ecoando em corredores de sangue e vida, artérias
e canais onde uivava clamando não sei bem pelo quê.
Tinha agora descoberto que o vento poderia ser dominadoe tu ensinaste-me como fazê-lo
já que conseguias pôr termo à tempestade do meu interior,
só com o abrir do teu olhar, e o teu olhar fixo no meu.
Como eram lindos os teus pequenos olhos azuis brilhantes,
quando olhavas nos meus, sentindo-te protegido pelos meus braços.
Voltar ao indiceXXVI. Estátuas De Coral
Não queria partir sem te abraçar pela última vez.
E disseste-me como escutar o ruído no âmago do silêncio,
e ver a luz no meio da escuridão,
mas não disseste que um dia partirias e permaneceste absorto na tua morte.
Falei-te, mas era como se não ouvisses,mas de repente enviaste uma lança de Luz e fogo que trespassou o meu ser,
e ainda sinto o sangue que brotou então de minhas entranhas.
E zanguei-me contigo por não seres aquilo que eu procurava,e por eu não ser aquilo que desejavas encontrar.
Mas a vida era mesmo assim e o fio de prata de Ariadne tinha-nosunido para todo o sempre.
Com o meu corpo ensanguentado,e as mãos lavadas de orvalho,
e ainda a tremer, percorri o labirinto do tempo, procurando-te sem cessar.
Envolvi-me em mil deleites só pela ilusão de te ter.
Submergi na antiga cidade submersa pelo tempo de um azul profundo e cintilante,
e encontrei as ruínas de nós dois.
Estátuas de pedra e sal banhadas pelo coral que resplandecia na luz matutina.
E ali estávamos.
Como sempre estivemos.
Olhar em olhar.
Visão de profundezas imersas na água azul escura.
E desfiz o encanto, e abracei teu corpo,
dando-te vida e trazendo-te, mais uma vez, para junto de mim,
confundindo o tempo.
Voltar ao indiceXXXI. Pérolas De Dor
Abraça-me nas asas deste amor que jamais morre e deixa-me ser teu para todo o sempre.
Essas asas de ave de rapina, que atravessa os céus, vestida de luz ardente,
como ardentes de dor estavam os meus olhos naquele dia após te ver,
e saber que jamais ave alguma te traria para mim,
e que o esvoaçar da seda que vestia o teu corpo jamais seria leve e suave ao meu toque.
Tornei-me ave de fogo, como uma Fénix renascida,e decidi que falaria contigo desse amor que jamais morre e que é eterno,
como eterna é a doce chama a que sempre chamaste Alma,
e que ainda habita o teu interior,
feito concha onde se fabricam pérolas através da dor.
E era esse azul enevoado da chama no teu coração que eu queria alimentar,e que me desses a beber teu sangue e de comer teu corpo sagrado,
pois para mim eras tudo de sagrado que existia,
e teu corpo um templo ao luar,
como de luar vieste a mim, vestido com as cores de numa dessas tantas noites,
em que me surpreendias com a tua presença.
E pedi-te um abraço que selasse nosso amor para todo o sempre,mas parecia que algo te impedia e que dizia para não me abraçares,
e, de repente, lembrei-me de novo dela e dos abraços que nunca me
deu, e de como mais uma vez as areias do tempo não cessavam de cair,
e que tudo se repetia, mais uma vez, e, desta vez, era contigo.
Voltar ao indiceXXXVII. Pastor De Estrelas
Pediste-me perdão, sabendo que jamais te perdoaria, pelo menos não agora,
que a tempestade voltou e os céus voltaram a ficar cinzentos.
Guardei num franco da Pérsia o perfume que me ofereceste,e que sempre usei desde o inquieto princípio do mundo.
E as fragrâncias dessa luz da lua, dentro do franco de cristal,
sempre me inebriavam e levavam a contemplar mundos de ilusão,
e dimensões desconhecidas. Mundos dentro de mundos.
Planos acima e abaixo.
Luz dentro de trevas.
Trevas dentro de Trevas.
E névoas densas feitas de algodão branco que teimavam em permanecer nos meus olhos,
ofuscando o teu rosto.
E nessas névoas havia o som etéreo do perdão.
Nessas névoas havia a obscuridade da doçura que envergavas no rosto,quando pastoreavas os anéis de Saturno, nas profundezas dos céus.
E as estrelas caíram, como havia sido profetizado,há dois mil anos e todas as potências dos céus foram abaladas.
Nessa escuridão soube que jamais te perdoaria o acto do abandono,e preferia que tivesses morrido com as estrelas,
e que os anéis de Saturno de que eras pastor se desvanecessem na escuridão.
E esse perdão não mais se transformou em compaixão e, para sempre,no espaço estrelado, imperou a escuridão.
Voltar ao indiceXLII. Morreste-me Naquele Dia
Tinhas os olhos rasos de água quando te encontrei naquele dia.
Passei um bálsamo calmante sobre as tuas pálpebras, que já estavam fechadas, e com dor, de tanto choro,
e disse-te que tudo iria correr pelo melhor.
Que eu estava aqui. Que eu estava do teu lado.
E que a morte poderia esperar mais cem séculos para te levar para junto dela
pois ainda não havia chegado a tua hora.
E o pão mal tinha começado a levedar.Nem o fermento havia ainda sido transformado.
E o meu forno já ardia esperando pelo teu corpo.
Disse-te que contemplarias os Campos Elíseos daqui a mais cem séculos,
quando as rosas do jardim murchassem e eu me picasse mortalmente num dos seus espinhos.
E que o tempo seria multiplicado por sete e alcançarias a imortalidade.
E isso acalmou-te.
Passei de novo o bálsamo nas tuas faces que se encheram de alegria.A alegria momentânea dos moribundos.
E o forno tinha sido aberto para receber o teu destino. E apesar de saber que dali a instantes serias levado no carro deApolo em direcção ao sol, não me importei.
Falei-te do mais belo que havíamos vivenciado no mundo,
e que tudo o mais era sem importância.
E disse-te…
Disse-te que estarias sempre comigo,
e que guardaria o teu coração num frasco de alabastro branco,
como o mármore das igrejas, e que serias sempre habitante das profundezas do meu ser.
E isso acalmou-te.
Foi então que o espírito do tempo choroue entrou no teu corpo
e cortou as últimas amarras, que te prendiam ao navio da vida.
E morreste-me, naquele dia. E contigo, todo o meu ser.Voltar ao indice
XLVI. Abriga A Minha Alma Junto A Ti
Juntos para sempre dentro da desunião.
Sinto-me a morrer e tudo arde em meu interior,
cada vez que sinto que desaparecerás e irás deixar apenas a ferida aberta na minha alma.
Como pode o Amor ser tão doloroso e saber que nada posso fazer para por termo a esta dor?Sem saber para onde se dirige a Alma desgarrada, que carrego em meu interior.
Clamo por ti que a recebas e lhe dês abrigo,que lhe dês algo que jamais recebeu neste descer, de mundo em mundo,
de dimensão em dimensão, até chegar onde habita hoje, este mundo de desunião,
onde estamos os dois e onde desapareceremos um dia.
Com a face encharcada e banhada em água salgada vim até ti,sabendo se clamasse e chamasse o nome Daquele Que Não Vem,
tu me atenderias e substituirias o Seu lugar no meu sofrido coração.
Mas subitamente dei-me conta que ninguém O poderá substituir,
pois Ele sou eu e eu sou Ele,
como há dois mil anos o sábio sobre o planeta bradou ao mundo.
Voltar ao indiceLIV. A Morte Do Meu Corpo
Mata-me já e termina com esta dor.
Apaga para sempre a bola de fogo que lançaste em meu coração.
As mãos dos Anjos que acorreram, quando supliquei ajuda,
brilhavam, em vermelho e laranja, mostrando a luz cintilante que
também existia no meu coração.
E desferi o último golpe derramando sangue inocente e água límpidabrotava dos teus olhos.
A Fonte Inesgotável estava agora destruída.Os céus haviam-se tornado negros e coroado estava eu de espinhos.
A minha garganta ardia e estava queimado por dentro.
As minhas entranhas morriam e a minha voz falhava e não podia falar.
Tudo havia sido destruído e poderias matar,
agora o meu destino pois jamais cruzaria o meu caminho com o teu.
E havia chegado o derradeiro fim e todas as luzes da terra se apagaram. Até que por fim o Negro Anjo lançou-se sobre o meu corpoe deu fim ao cristalino cordão de prata que sempre me uniu à vida.
E abandonei-me. E uni-me aos oceanos e fui água nas marés e gotas de orvalho,e corrente nos rios e vento nas montanhas e azul na imensidão dos céus.
E morri.O meu corpo morreu,
e a minha pequena centelha luminosa fundiu-se com o Universo,
e tornei-me Uno.
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Reportagem no Jornal "Valadares em Foco" sobre a o Lançamento do livro de Joma Sipe, Abril de 2005

MUNDO DE EMOÇÕES
“Afoguei-me em ti” é o livro que dá início à carreira poética de Joma Sipe.Uma obra que também se poderia chamar “Afoguei-me num mundo de emoções”, tal é a mistura de sentimentos que o leitor vai sentindo ao longo da leitura. “Neste lugar tão só, vi com a visão dos mortos, mundos deslumbrantes e planetas de imensidões, de planícies, montanhas, vales e mares…e eu era um só”, afirma o solitário que abre as portas do livro. No entanto, um Homem bastante confiante de si rapidamente toma o seu lugar, contradizendo o anterior ao salientar que “ Em mim todas as aves fazem ninhos e todos os seres procuram liberdade. Em mim descansa a paz e repousa a guerra. Tudo está em paz”. De acordo com o autor, esta passagem deve-se à “criação e o antes da Guerra Celestial e Interna que é amar egóicamente, é ao antes do próprio começo, quando a unicidade era tudo o que existia e nada mais era necessário. São nestes momentos que os medos e as carências e domínio do ego prevalece”. Mas é no Universo do Amor que a personagem criada por Joma Sipe encontra a profundeza dos seus verdadeiros sentimentos. O “vai e vem” da pessoas amada desperta emoções ora de alegria ora de dor. “Acariciaste a minha face, com as tuas mãos de rosa e ao de leve beijaste minhas lágrimas de sabor a mar, e mataste a minha sede de amor pelos ligeiros e breves instantes em que o fizeste”, retratava assim a plenitude do seu Amor que por vezes a sua intensidade fazia com que houvesses motivos de dúvida. Tal como o poeta afirma é o mundo da existência e da perda, do ter e do não ter, do querer e do desejar e do nada haver que o leva a frisar que “quando o fogo-fátuo das manhãs claras de Inverno me fazia lembrar de ti, recolhia-me no anoitecer pensando que eras apenas uma ilusão. E sempre foste, não é verdade?” “O Homem” só viria “assentar os pés no chão” quando se apercebeu que a pessoa amada não lhe correspondia com os seus sentimentos, chegando à conclusão da inutilidade da sua própria dor. “Tão longe fui eu quando me deixaste com os olhos a arder em fogo, sem água para apagar as chamas de dor que se abateram sobre mim, naquele dia. O dia em que partiste. Mas esse dia não foi todos os outros dias?”. Alias, a dor da perda desse Amor rapidamente lhe trouxe à memória os tempos de infância ou aqueles em que existe uma Mãe ausente, ou até a perda do seu lar. “Sempre me lembraste a minha infância e minha dor por minha mãe não ter sido mãe(…) E no fim apareceste tu, depois dela, e fingiste amar o meu interior, mas como poderias fazer se nem a ti te amavas, como ela”. Joma Sipe explicou ao “Valadares e a Cidade em Foco” que é neste capítulo que a sua personagem deixa a dor para procurar o céu da liberdade, e por fim, de um mundo primordial de felicidade. Escrito no Verão de 2004, “Afoguei-me em Ti” é uma obra publicada pela Corpos Editora e é constituído por uma estrutura tripartida de forma a mostrar os vários estados de espírito do “Homem”. No entanto, a sua finalização ilustra uma mensagem de esperança. A capa do livro é da autoria de Joma Sipe e é a adaptação da pintura “Requiem II”. “ Os poemas são o desenvolvimento das minhas ilustrações, faz questão de frisar junto do seu público. O lançamento ocorreu no dia 18 de Março no Bar Nosferatu junto das obras de António Pinheiro, José Morais, Cláudia Martinho, Luís Ribeiro e da actuação de Ex- Ricardo Pinho Teixeira que foi de bastante agrado do público.
Texto e Fotos: Mónica Joady
Reportagem no Jornal "O Comércio de Gaia" sobre a o Lançamento do livro de Joma Sipe, Março de 2005

EDITORA LANÇA NOVOS ARTISTAS
A Corpos Editora nasceu para mudar o panorama editorial português e no seu último lançamento, continuou a ser vanguardista. O Parke, em Francelos, foi o palco escolhido pela editora para a apresentação das obras de cinco autores: Joma Sipe, António Pinheiro, José Morais, Clúdia Martinho e Luís Ribeiro. Já foi o tempo em que o lançmento de uma obra era apenas um evento onde o autor se escondia atrás de uma mesa para dar autógrafos. A apresentação da Corpos Editora contou com um espectáculo poético audiovisual de Ex-Ricardo de Pinho Teixeira e Hades que surpreendeu a todos os presentes. Poesia, música, dança do ventre e performances de palco foram alguns dos ingredientes da apresentação do mentor da Corpos Editora. Acreditamos na arte enquanto espectáculo, referiu Ex-Ricardo. Joma Sipe, autor do livro Afoguei-me em Ti é um dos escritores presentes no lançamento, começou a sua carreira como pintor e artista plástico. Joma explica que a ideia do livro surgiu a partir de frases que escreveu para algumas ilustrações de sua autoria. Essas frases foram o ponto de partida para os 54 poemas que estão em "Afoguei-me em Ti", que apresenta uma estrutura tripartida. O jovem artista gostou da experiência da escrita e pretende continuar a aventura. "Gostaria de escrever mais algumas coisas" confessou Joma Sipe.
Texto e Fotos: Marcelo Paes
Última Actualização: Abril de 2005 / Last Edit:
April 2005 Ó
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