Homenagem ao Poder do Agora / Homage to the Power of Now

 

O autor do livro "O Poder do Agora" é Eckhart Tolle. Os direitos reservados para Portugal pertencem à Editora Pergaminho, Lda.

 

1.Você não e a sua mente

- O maior obstáculo à iluminação

- Liberte-se da sua mente

- Iluminação: elevar-se acima do pensamento

- Emoção: a reacção do corpo à sua mente

 

2.Consciência: O Caminho para Sair da Dor

- Não criar mais dor no presente

- Dor passada: desfazer o corpo de dor

- A identificação do ego com o corpo de dor

- A origem do medo

- O Ego à procura da totalidade

 

3.Entrar Profundamente no Agora

- Não procure o seu eu na mente

- Acabe com a ilusão do tempo

- Nada existe fora do agora

- A chave para a dimensão espiritual

- Aceder ao Poder do Agora

- Libertar-se do tempo psicológico

- A insensatez do tempo psicológico

- A negatividade e o sofrimento têm as suas raízes no tempo

- Descobrir a vida subjacente à sua situação na vida

- Todos os problemas são ilusões da mente

- Um gigantesco passo em frente na evolução da consciência

- A alegria do Ser

 

4.Estratégias da Mente para Evitar o Agora

- A perda do agora: a ilusão central

- Inconsciência comum e inconsciência profunda

- Desfazer a inconsciência comum

- Libertar-se da infelicidade

- Esteja onde estiver, esteja plenamente

- A felicidade interior da jornada da sua vida

- O passado não pode sobreviver na sua presença

 

5.O Estado de Presença

- Não é aquilo que você pensa que é

- O significado esotérico da “espera”

- A beleza surge na quietude da sua presença

- Compreender a consciência pura

- Cristo: a realidade da sua divina presença

 

6.O Corpo Interior

- O Ser é o seu eu mais profundo

- Transcenda as palavras

- Descubra a sua realidade invisível e indestrutível

- A ligação com o corpo interior

- A transformação através do corpo

- Sermão sobre o corpo

- Ter raízes profundas no interior

- Antes de entrar no corpo, perdoe

- O seu elo com o não-manifesto

- Abrandar o processo de envelhecimento

- Fortalecer o sistema imunitário

- Deixe que a respiração o leve para o interior do corpo

- O uso criativo da mente

- A arte de escutar

 

7.Portais para o Não-Manifesto

- Entrar profundamente no corpo

- A fonte do Chi

- Sono sem sonhos

- Os outros portais

- O silêncio

- O espaço

- A verdadeira natureza do espaço e do tempo

- A morte consciente

 

8.Relacionamentos Iluminados

- Entre no Agora a partir de onde quer que se encontre

- Relacionamentos amor/ódio

- A dependência e a procura do estado integral

- Dos relacionamentos de dependência aos relacionamentos iluminados

- Os relacionamentos como exercício espiritual

- Porque é que as mulheres estão mais próximas da iluminação

- Desfazer o corpo de dor colectivo feminino

- Abandone o relacionamento consigo próprio

 

9.Para além da Felicidade e da Infelicidade Há a Paz

- O maior bem para além do bem e do mal

- O fim do drama da sua vida

- A impermanência e os ciclos da vida

-Usar e abandonar a negatividade

- A natureza da compaixão

- Para uma ordem diferente da realidade

 

10.O Significado da Rendição

- Aceitação do Agora

- Da energia da mente à energia espiritual

- A rendição nos relacionamentos pessoais

- Transformar a doença em iluminação

- Quando as calamidades acontecem

- Transformar o sofrimento em paz

- O caminho da cruz

- O poder de escolher

 

 

 

Liberte-se da sua mente

Se uma pessoa for ao médico e disser «Oiço uma voz dentro da minha cabeça», o mais certo é que essa pessoa seja remetida para um psiquiatra. O facto é que, de um modo muito semelhante, praticamente toda a gente ouve constantemente uma voz, ou várias vozes, dentro da cabeça: é o processo do pensamento involuntário que você tem o poder de travar, embora não o saiba. Monólogos ou diálogos contínuos! Provavelmente já se cruzou na rua com pessoas "malucas" que falam e resmungam incessantemente consigo próprias. Pois bem, isso não é muito diferente daquilo que você e todas as outras pessoas "normais" fazem, só que não o fazem em voz alta. A voz comenta, especula, critica, compara, queixa-se, gosta, não gosta, e por aí fora. A voz não é necessariamente relevante para a situação em que você se encontra no momento; provavelmente, ela estará a reviver o passado recente ou distante, a ensaiar ou a imaginar possíveis situações futuras. Aqui, ela muitas vezes imagina que as coisas irão correr mal ou terão resultados negativos; chama-se a isto preocupação. Por vezes, essa pista sonora é acompanhada por imagens visuais ou "filmes mentais". Mesmo que a voz seja relevante para a situação presente, ela interpretará essa situação em termos de passado. É assim porque a voz pertence à sua mente condicionada, que é o resultado de todo o seu historial passado, assim como do contexto mental e cultural colectivo que você herdou. Portanto, você vê e julga o presente através dos olhos do passado e obtém dele uma visão totalmente distorcida. Não é raro que a voz seja o pior inimigo de uma pessoa. Muitas pessoas vivem com um carrasco na cabeça que as ataca e castiga constantemente e lhes suga a energia vital. Ela é causadora de uma tremenda angústia e infelicidade, assim como de doenças. Mas há boas notícias: você pode libertar-se da sua mente. É a única libertação verdadeira. Poderá começar a dar o primeiro passo já neste momento. Comece por ouvir a voz dentro da sua cabeça o maior número de vezes que puder. Preste particular atenção a quaisquer padrões de pensamento repetitivos, esses velhos discos riscados que provavelmente estão a tocar na sua cabeça há muitos anos. E isso que eu quero dizer com "observar o pensador", que é uma outra maneira de dizer: escute a voz dentro da sua cabeça, esteja lá como testemunha presencial. Ao escutar essa voz, escute-a com imparcialidade. O mesmo é dizer, não julgue. Não critique nem condene o que ouve, porque fazê-lo significaria deixar a mesma voz entrar novamente pela porta de trás. Depressa compreenderá: lá está a voz, e aqui estou eu aouvi-la, a observá-la. Esta consciência de que eu estou, esta sensação da sua própria presença, não é um pensamento. Tem origem para além da mente.

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Não criar mais dor no presente

A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a sua vida. A dor que você criar agora será sempre uma certa forma de não-aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente aquilo que é. Ao nível do pensamento, a resistência é uma certa forma de julgamento. Ao nível emocional; é uma certa forma de negatividade. A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e essa resistência por seu lado depende de quão fortemente você estiver identificado com a sua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e fugir a ele. Por outras palavras, quanto mais identificado você estiver com a sua mente, mais sofrerá. Ou poderá colocar a questão deste modo: quanto mais você honrar e aceitar o Agora, mais livre estará da dor, do sofrimento - e da mente egoica. Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue funcionar nem permanecer no poder sem o tempo, que é passado e futuro e, por conseguinte, para ela o Agora representa uma ameaça. De facto, o tempo e a mente são inseparáveis. Imagine a Terra desprovida de vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Teria ela ainda um passado e um futuro? Poderíamos nós falar de tempo de maneira que fizesse sentido? As perguntas "Que horas são?" ou "Que dia é hoje?" - se houvesse quem as fizesse - não fariam qualquer sentido. O carvalho ou a águia ficariam estupefactos com tais perguntas. "Que horas são?" perguntariam. "Bem, e claro que é agora. Que mais poderia ser?" Sim, é certo que precisamos da mente assim como do tempo para funcionarmos neste mundo, mas a certa altura eles tomam conta das nossas vidas, e é aí que a disfunção, a dor e o desgosto se instalam. A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente. Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também o tornam mais pesado a cada momento, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na actualidade. A acumulação de tempo na mente humana, colectiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado. Se quiser deixar de criar dor para si e para os outros, se quiser deixar de acrescentar mais dor ao resíduo da dor passada que continua a viver em si, então deixe de criar mais tempo, ou pelo menos crie apenas o tempo necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo? Compreendendo profundamente que o momento presente é tudo o que você algum dia terá. Faça do Agora o foco principal da sua vida. Atendendo a que antes de você vivia no tempo e fazia curtas visitas ao Agora, estabeleça a sua morada no Agora e faça curtas visitas ao passado e ao futuro quando precisar de lidar com os aspectos práticos da sua situação de vida. Diga sempre "sim" ao momento presente. Que poderia ser mais fútil, mais insensato do que criar resistência interior a algo que já é? Que poderia ser mais insensato do que opor-se à própria vida, que é agora e sempre será agora? Submeta-se àquilo que é. Diga "sim" à vida - e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si em vez de contra si.

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Dor passada: desfazer o corpo de dor

Enquanto você for incapaz de aceder ao poder do Agora, todas as dores emocionais que experimentar deixarão atrás de si um resíduo de dor que continuará a viver em si. Ela mistura-se na dor do passado, que já lá existia, e aloja-se na sua mente e no seu corpo. É evidente que isso inclui a dor que você sofreu em criança, provocada pela inconsciência do mundo em que nasceu. Essa dor acumulada é um campo de energia negativa que ocupa o seu corpo e a sua mente. Se a considerar como uma entidade invisível autónoma, estará bem próximo da verdade. É o corpo de dor emocional. Tem dois modos de ser: latente e activo. Um corpo de dor poderá estar latente durante 90 por cento do tempo; no entanto, numa pessoa profundamente infeliz, poderá estar activo até 100 por cento do tempo. Algumas pessoas vivem quase inteiramente no seu corpo de dor, enquanto que outras o sentem unicamente em determinadas situações, como por exemplo no caso de um relacionamento íntimo, ou em situações ligadas a uma perda ou a um abandono passados, a sofrimentos físicos ou emocionais, e assim por diante. Qualquer coisa o pode desencadear, principalmente se estiver em ressonância com um padrão de dor do seu passado. Quando está pronto a despertar do seu estado dormente, basta um pensamento ou um reparo inocente feito por alguém próximo de si para o activar. Alguns corpos de dor são irritantes, mas relativamente inofensivos, como por exemplo uma criança que não pára de choramingar. Outros são monstros perversos e destrutivos, verdadeiros demónios. Alguns são fisicamente violentos; muitos mais são emocionalmente violentos. Alguns atacarão as pessoas que o rodeiam ou lhe são íntimas, enquanto que outros o atacarão a si, seu hospedeiro. Os pensamentos e os sentimentos que você tem a respeito da sua vida tornar-se-ão então profundamente negativos e auto destrutivos. Doenças e acidentes são muitas vezes criados desta forma. Há corpos de dor que levam os seus hospedeiros ao suicídio. Quando você pensa que conhece uma pessoa e de repente se vê confrontado com uma criatura estranha e maldosa pela primeira vez, isso choca-o bastante. No entanto, é mais importante que observe isso em si próprio do que em qualquer outra pessoa. Fique atento a qualquer sinal de infelicidade dentro de si, tome ele a forma que tomar - poderá tratar-se do despertar do corpo de dor. Poderá tomar a forma de irritação, de inquietação, de um estado de espírito melancólico, de um desejo de magoar, de ira, de raiva, de depressão, de uma necessidade de fazer um drama do seu relacionamento, e outras coisas semelhantes. Agarre-o assim que ele sair do seu esta do de latência. O corpo de dor quer sobreviver, exactamente corno qualquer outra entidade, mas só poderá sobreviver se conseguir que você se identifique inconscientemente com ele. Poderá então erguer-se; tomar conta de si, "tornar-se você" e viver através de si. Precisa de obter "alimentos" através de si. Alimentar-se-á de qualquer experiência que esteja em ressonância com a sua própria energia, com tudo o possa criar rnais dor, seja sob que forma for: ira, poder de destruição, ódio, pesar, drama emocional, violência, e até mesmo doença. Deste modo, o corpo de dor, ao tomar conta de si, criará uma situação na sua vida que reflectirá a sua própria frequência de energia para ele se alimentar. A dor só se pode alimentar de dor. A dor não se pode alimentar de alegria. Acha que esta última é bastante indigesta. Assim que o corpo de dor tomar conta de si, você vai querer mais dor. Tornar-se-á uma vítima ou um agressor. Vai querer infligir dor, ou sofrer dor, ou ambas as coisas. Na realidade não há grande diferença entre sofrer e infligir dor. É claro que você não terá consciência disso e afirmará com toda a convicção que não quer dor. Mas olhe atentamente e verá que o seu pensamento e o seu comportamento estão destinados a perpetuar a dor, para si e para os outros. Se você estivesse verdadeiramente consciente, o padrão seria desfeito, porque querer mais dor é insensatez e ninguém é conscientemente insensato. Na verdade, o corpo de dor, que é a sombra escura projectada pelo ego, tem medo da luz da sua consciência. Tem medo de ser descoberto. A sobrevivência dele depende da sua identificação inconsciente com ele, assim como do seu medo inconsciente de enfrentar a dor que vive dentro de si. Mas se você não a enfrentar, se não lançar a luz da sua consciência sobre a dor, será forçado a revivê-la constantemente. O corpo de dor poder-lhe-á parecer um monstro perigoso para o qual não suporta olhar, mas eu garanto-lhe que ele é um fantasma insubstancial que não pode vencer o poder da sua presença.

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Acabe com a ilusão do tempo

Eis aqui a chave: acabe com a ilusão do tempo O tempo e a mente são inseparáveis. Remova o tempo da mente e esta pára - a não ser que você decida utilizá-la. Estar identificado com a sua mente é estar preso no tempo: a compulsão para viver quase exclusivamente através da memória e da antecipação. Isso cria uma preocupação infindável com o passado e com o futuro e uma relutância em honrar e reconhecer o momento presente e permitir que ele seja. A compulsão nasce porque o passado lhe dá uma identidade e o futuro contém a promessa de salvação, de satisfação, seja sob que forma for. Ambos são ilusões. O tempo não é nada valioso, porque não passa de uma ilusão. O que você entende como precioso não é o tempo, mas sim o único ponto que está fora dele: o Agora. E este é indubitavelmente valioso. Quanto mais concentrado você estiver no tempo - no passado e no futuro -mais deixará passar o Agora, a coisa mais preciosa que existe. Porque é que ele é a coisa mais preciosa? Em primeiro lugar, porque é a única coisa. É tudo o que existe. O presente eterno é o espaço dentro do qual toda a sua vida se processa, o factor único que permanece constante. A vida é agora. Nunca houve tempo algum em que a sua vida não fosse agora, nem nunca haverá. Em segundo lugar, o Agora é o único ponto que o poderá levar para além dos limitados confins da mente. É o seu único ponto de acesso ao reino intemporal e sem forma do Ser.

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Aceder ao Poder do Agora

Existe um lugar próprio para a mente e para o conhecimento da mente. Fica no reino prático da vida quotidiana. No entanto, quando a mente toma conta de todos os domínios da sua vida, incluindo os dos seus relacionamentos com os outros seres humanos e com a Natureza, torna-se um monstruoso parasita que, se não for controlado, poderá muito bem acabar por matar toda a vida no planeta e matar-se finalmente a si próprio ao matar o seu hospedeiro. Você teve um vislumbre de como o intemporal pode transformar as suas percepções. Mas uma experiência não basta, por mais bela ou profunda que seja. O que é preciso e aquilo de que estamos a tratar é de uma mudança permanente da consciência. Por isso, rompa com o velho padrão de recusar o momento presente e de lhe resistir. Habitue-se a afastar a sua atenção do passado e do futuro sempre que eles não forem necessários. Sempre que possível, saia da dimensão do tempo na sua vida do dia-a-dia. Se achar que é difícil entrar directamente no Agora, comece por observar a tendência habitual da sua mente a querer fugir do Agora. Verá que o futuro é geralmente imaginado melhor ou pior do que o presente. Se o futuro imaginado for melhor, você terá uma esperança ou uma expectativa agradável. Se for pior, criará ansiedade. Ambos são ilusórios. Através da observação de si próprio, terá de imediato mais presença na sua vida. No momento em que você compreender que não está presente, estará presente.

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Esteja onde estiver, esteja plenamente

Veja se se consegue apanhar a lamentar-se, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que se encontra, de algo que as outras pessoas fazem ou dizem, do seu meio envolvente, da sua situação de vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não-aceitação daquilo que é. E traz consigo, necessariamente, uma carga negativa inconsciente. Quando você se lamenta, está-se a fazer de vítima. Mas quando você se defende, está a reivindicar o seu poder. Por isso, mude a situação tomando providências, defendendo-se se for necessário ou possível; deixe a situação ou aceite-a. Ter qualquer outra atitude é insensato. De certa forma, a inconsciência comum está sempre ligada à recusa do Agora. O Agora, evidentemente, também significa o aqui. Estará você a resistir ao seu aqui e agora? Há pessoas que só estão bem onde não estão. O seu "aqui" nunca é suficientemente bom. Observe-se a si próprio para descobrir se é esse o seu caso. Esteja onde estiver, esteja lá plenamente. Se achar que o seu aqui e agora é intolerável e o deixa infeliz, você tem três opções à escolha: ou você se afasta da situação, ou a muda, ou a aceita totalmente. Se quiser ser responsável pela sua vida, tem de escolher uma dessas três opções, e tem de escolher agora. Mais tarde lidará com as consequências. Nada de desculpas. Nada de negatividade. Nada de poluição psíquica. Mantenha limpo o seu espaço interior. Se tomar quaisquer providências - deixar ou mudar a sua situação - liberte-se primeiro da negatividade, se for de todo possível. Agir com base na intuição do que é necessário é sempre mais eficaz do que agir com base na negatividade.

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Não é aquilo que você pensa que é

Não é aquilo que você pensa que é! Você não pode pensar sobre a presença, e a mente não a pode compreender. Compreender a presença é estar presente. Tente fazer uma experiência. Feche os olhos e diga para si próprio: "Pergunto-me qual vai ser o meu próximo pensamento". Depois fique muito atento e espere pelo próximo pensamento. Seja como um gato a observar um buraco de rato. Que pensamento irá sair do buraco do rato? Faça-o agora.

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Descubra a sua realidade invisível e indestrutível

O corpo físico não o aproxima do Ser. Mas esse corpo visível e tangível é apenas uma concha exterior, ou seja, uma percepção limitada e distorcida de uma realidade mais profunda. No seu estado natural de ligação com o Ser, essa realidade mais profunda pode ser sentida em cada momento como um corpo interior invisível, a presença viva que há dentro de si. Portanto, "habitar o corpo" é sentir o corpo a partir do interior, sentir a vida do corpo e por aí vir a reconhecer que você é mais do que a sua forma exterior. Mas isso é apenas o começo de uma jornada para dentro de si, que o levará cada vez mais fundo, para um reino de grande quietude e paz e, no entanto, de grande poder e de uma vida intensa. Ao princípio, você poderá ter só alguns vislumbres fugazes, mas através deles poderá começar a compreender que você não é apenas um fragmento sem significado num Universo estranho, suspenso momentaneamente entre o nascimento e a morte, a quem são permitidos alguns prazeres de curta duração, seguidos de dor e culminando na aniquilação. Por baixo da sua forma exterior, você está ligado a uma coisa tão vasta, tão incomensurável e sagrada que não se pode conceber nem falar dela - e no entanto eu estou a falar dela agora. Estou a falar-lhe dela não para lhe dar alguma coisa em que acreditar, mas para lhe mostrar como a pode conhecer por si próprio. Você estará desligado do Ser enquanto a sua mente estiver a ocupar toda a sua atenção. Quando isso acontece - e para a maioria das pessoas acontece constantemente - você não está no seu corpo. A mente absorve toda a sua consciência e transforma-a num objecto da mente. Você não consegue parar de pensar. O pensamento compulsivo tornou-se uma doença colectiva. Toda a sua sensação de identidade deriva então da actividade da mente.

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Abrandar o processo de envelhecimento

Entretanto, a tomada de consciência do corpo interior traz outros benefícios ao domínio físico. Um deles é um significativo abrandamento do envelhecimento do corpo. Enquanto o corpo exterior normalmente parece envelhecer e definhar bastante depressa, o corpo interior não muda com o tempo, embora você o vá sentido mais profundamente e se vá identificando mais plenamente com ele. Se tiver agora vinte anos de idade, o campo de energia do seu corpo interior será exactamente o mesmo quando tiver oitenta. Estará então igualmente cheio de vida. Assim que o seu estado habitual passar da fase de estar fora do corpo e prisioneiro da sua mente para a de estar dentro do corpo e presente no Agora, o seu corpo tísico sentir-se-á mais leve, mais claro, mais vivo. Como há mais consciência no corpo, a sua estrutura molecular torna-se realmente menos densa. Um aumento de consciência significa uma atenuação da ilusão da materialidade. Quando você se identificar mais com o corpo interior intemporal do que com o corpo exterior, quando a presença se tornar o seu modo normal de consciência e o passado e o futuro deixarem de dominar a sua atenção, você deixará de acumular o tempo na sua psique e nas células do seu corpo, A acumulação do tempo, assim como o fardo psicológico do passado e do futuro, diminuem muito a capacidade de regeneração das células. Por isso, ao habitar o corpo interior, o corpo exterior envelhecerá a um ritmo muito mais lento e, mesmo quando envelhecer, a sua essência intemporal brilhará através da forma exterior e você não terá o aspecto de uma pessoa idosa. Há qualquer dado científico que o comprove? Faça a experiência e você será a prova viva.

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A fonte do Chi

O Não-Manifesto é a fonte do chi. O chi é o campo de energia interior do seu corpo. É a ponte entre o seu exterior e a Fonte. Fica a meio caminho entre o manifesto, o mundo da forma, e o Não-Manifesto. O chi pode ser comparado a um rio ou a um caudal de energia. Se você se concentrar profundamente no corpo interior, estará a seguir o curso desse rio até à sua Fonte. O chi é movimento; o Não-Manifesto é quietude. Quando atingir um ponto de quietude absoluta, que apesar disso está cheio de vida, você transcende o corpo interior e o chi a própria Fonte: o Não-Manifesto. O chi é o elo entre o Não-Manifesto e o universo físico. Se concentrar a sua atenção profundamente no corpo interior, poderá alcançar esse ponto, essa singularidade, onde o mundo se dissolve no Não-Manifesto e o Não-Manifesto assume a forma da corrente de energia do chi, que se transforma então no mundo. Este é o ponto do nascimento e da morte. Quando a sua consciência está voltada para o exterior, surgem a mente e o mundo. Quando está voltada para o interior, ela descobre a sua própria Fonte e volta para casa, para o Não-Manifesto. Depois, quando a sua consciência regressa ao mundo manifesto, volta a assumir a identidade da forma que pôs temporariamente de parte. Você tem um nome, um passado, uma situação de vida, um futuro. Mas, num aspecto essencial, você já não é a mesma pessoa que era antes: terá vislumbrado uma realidade dentro de si próprio que não é "deste mundo", embora não esteja separada dele, tal como não está separada de si. Agora faça o seguinte exercício espiritual: enquanto se dedica aos seus afazeres diários, não dê atenção ao mundo exterior e à sua mente. Guarde alguma atenção para o seu interior. Já falei acerca disto atrás. Sinta o seu corpo interior mesmo quando estiver ocupado com as suas actividades diárias, especialmente quando estiver em contacto com outras pessoas ou com a Natureza. Sinta a quietude no seu interior Deixe o portal aberto. E perfeitamente possível estar consciente do Não-Manifesto em todos os momentos da sua vida. Senti-lo-á como uma paz profunda, uma quietude que nunca o deixa, aconteça o que acontecer cá fora. Você torna-se uma ponte entre o Não-Manifesto e o manifesto, entre Deus e o mundo. É a este estado de ligação com a Fonte que damos o nome de iluminação.

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A dependência e a procura do estado integral

Por que razão ficaríamos nós viciados em outra pessoa? A razão pela qual uma relação de amor romântico é uma experiência tão intensa e procurada por todos nós é por dar a impressão de proporcionar uma libertação de um estado profundamente enraizado de medo, de carência e de deficiência, estado esse que faz parte da condição humana na sua situação não redimida e não iluminada. Há nele uma dimensão física, assim como uma dimensão psicológica. Ao nível físico, é óbvio que você não é completo, nem nunca o será: você ou é homem ou é mulher, ou seja, metade de um ser completo. A este nível, o anseio pelo estado integral - o regresso à unicidade - manifesta-se como uma atracção do masculino pelo feminino, como uma necessidade do homem por uma mulher, ou a necessidade de uma mulher por um homem. É um desejo quase irresistível de uma união com a polaridade oposta. A raiz desse desejo físico é um impulso espiritual: o anseio pelo fim da dualidade, um regresso ao estado integral. Ao nível físico, você só se conseguirá aproximar desse estado pela união sexual. E por isso que ela é a experiência mais profunda de satisfação que o domínio físico lhe pode oferecer. Mas a união sexual não passa de um vislumbre fugaz do estado integral, um instante de êxtase. Enquanto você procurar a relação sexual, inconscientemente, como meio de salvação, estará a procurar o fim da dualidade ao nível da forma, onde ele não se encontra. É-lhe dado um vislumbre tentador do paraíso, mas não lhe é permitido permanecer nele, e você encontra-se novamente num corpo separado. Ao nível psicológico, a sensação de carência e de deficiência é ainda maior do que ao nível físico. Enquanto você se identificar com a mente, terá uma sensação de identidade com origem no exterior de si próprio. Ou seja, a sua sensação de identidade deriva de coisas que, em última análise, nada têm a ver com quem você é: a sua posição social, os seus bens, a sua aparência exterior, os seus sucessos e insucessos, as suas convicções, etc. Esse falso eu construído pela mente, o ego, sente-se vulnerável, inseguro, e anda sempre à procura de coisas novas com as quais se identificar a fim de ter a sensação de que existe. Mas nunca nada é suficiente para lhe dar uma satisfação douradora. O seu medo permanece; a sua sensação de carência permanece. E é então que surge aquele relacionamento especial. Parece ser a resposta a todos os problemas do ego e parece satisfazer todas as suas necessidades. Pelo menos assim parece, ao princípio. Todas as outras coisas a partir das quais você obtinha a sua sensação de identidade tornam-se agora relativamente insignificantes. Você tem agora um único ponto fulcral que as substitui, que dá sentido à sua vida e através do qual você define a sua identidade: a pessoa por quem está "apaixonado". Aparentemente, você deixa de ser um fragmento num Universo que não quer saber de si. O seu mundo tem agora um centro: a pessoa amada. O facto é que o centro está fora de si e, por conseguinte, você continua a ter uma sensação de identidade com origem no exterior, o que ao princípio parece não ter importância. O que importa é que os sentimentos subjacentes ao estado não integral de medo, de carência e de insatisfação pessoal, tão característicos do estado egoico, deixam de existir. Será? Na verdade, esses sentimentos desaparecerão ou continuarão a existir sob a superfície de uma aparência de felicidade? Se nos seus relacionamentos você sentir ao mesmo tempo "amor" e o seu oposto - agressividade, violência emocional, etc. -, então o mais certo é estar a confundir o afecto do ego e o apego viciante com o amor. Não pode amar o seu parceiro num determinado momento e atacá-lo a seguir. O amor verdadeiro não possui oposto. Se o seu "amor" tiver um oposto, é porque não é amor mas sim uma forte necessidade do ego de uma sensação de identidade mais completa e mais profunda, necessidade essa que a outra pessoa satisfaz temporariamente. E um substituto do ego para a salvação que, por um curto espaço de tempo, quase parece a salvação. Mas chegará uma altura em que o seu parceiro se comportará de uma maneira que deixa de satisfazer as suas necessidades, ou antes, as do seu ego. Os sentimentos de medo, sofrimento e carência, que são parte intrínseca da consciência egoica, mas que foram encobertos pelo "relacionamento amoroso", vêm de novo à superfície. Tal como qualquer outra dependência, você sentir-se-á bem enquanto a droga estiver disponível, mas chegará invariavelmente uma altura em que a droga deixará de ter efeito em si. Quando esses sentimentos dolorosos reaparecem, você sente-os com uma intensidade ainda maior e, pior ainda, passa a encarar o seu parceiro como a causa desses sentimentos. Significa isto que você os projecta para o exterior e ataca o outro com a violência feroz que faz parte da sua dor. Este ataque pode despertar a dor do próprio parceiro que poderá contra-atacar. Neste ponto, o ego continua a ter a esperança inconsciente de que o seu ataque ou a sua manipulação serão castigo suficiente para levar o parceiro a mudar de comportamento, e assim usá-lo novamente para encobrir a sua dor. Qualquer dependência tem origem numa recusa inconsciente de você enfrentar e ultrapassar a sua própria dor. Qualquer dependência começa e acaba com sofrimento. Seja qual for a substância de que fica dependente - álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou uma pessoa - você está a usar alguma coisa ou alguém para encobrir a sua dor. É por isso que, passada a euforia inicial, há tanta infelicidade e tanto sofrimento nos relacionamentos íntimos. Não são eles que provocam sofrimento nem infelicidade. O que eles fazem é fazer ressaltar o sofrimento e a infelicidade que já estão dentro de si. Qualquer dependência faz isso. Qualquer dependência, passado algum tempo, deixa de ter o efeito de acalmar o seu sofrimento, e então você sente o sofrimento mais intensamente do que nunca. É por essa razão que muitas pessoas estão sempre a tentar fugir do momento presente e a procurar algum tipo de salvação no futuro. A primeira coisa que encontrariam, se concentrassem a atenção no Agora, seria a sua própria dor, e é disso que elas têm medo. Se ao menos soubessem como é fácil aceder, no Agora, ao poder da presença que desfaz o passado e o seu sofrimento, da realidade que desfaz a ilusão. Se ao menos soubessem quão perto estão da sua própria realidade, quão perto estão de Deus. Evitar os relacionamentos numa tentativa de evitar o sofrimento também não é resposta. Seja como for, o sofrimento existe. Três relacionamentos falhados em três anos terão mais hipóteses de o forçar a despertar do que três anos passados numa ilha deserta ou fechado no seu quarto. Mas se você fosse capaz de trazer presença intensa para a sua solidão, essa solidão poderia levá-lo a despertar.

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Abandone o relacionamento consigo próprio

Quer seja iluminado ou não, você é homem ou mulher, pelo que, ao nível da sua identidade ou forma, você não é completo, uma metade do todo. Essa situação de incompletude assume a forma de uma atracção entre os sexos, de um apelo para a energia de polaridade oposta, por mais consciente que você seja. Mas nesse estado de ligação interior, você vai sentir esse impulso algures à superfície ou na periferia da sua vida. Quando estiver nesse estado, tudo o que lhe acontecer parecer-lhe-á de certo modo distante. O mundo inteiro será como pequenas ondas ou ondulações à superfície de um vasto e profundo oceano. Esse oceano é você e, é claro, você é também a ondulação, mas uma ondulação que compreendeu a sua verdadeira identidade como oceano e, comparada com essa vastidão e profundidade, o mundo das ondas e ondulações não tem importância absolutamente nenhuma. Não significa isso que você não se relacione profundamente com outras pessoas ou com o seu parceiro. De facto, você só poderá relacionar-se profundamente se estiver consciente do Ser. A partir do Ser, você será capaz de ver para além do véu da forma. No Ser, homem e mulher são um. As suas formas poderão continuar a ter determinadas necessidades, mas o Ser não tem nenhuma. Ele já é completo e inteiro.

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O maior bem para além do bem e do mal

Será que você sabe realmente o que é positivo o que é negativo? Tem uma ideia completa do que isso é? Para muitas pessoas foram as limitações, os insucessos, as perdas, as doenças ou os sofrimentos, sob as mais diversas formas, que acabaram por ser os seus mestres. Estes ensinaram-lhes a esquecer as falsas imagens que tinham de si próprias bem como as metas superficiais que lhes eram ditadas pelo ego e pêlos seus desejos. Deram-lhes profundidade, humildade e compaixão. Tornaram-nas mais reais. Sempre que alguma coisa negativa lhe acontece, ela contém uma lição profunda oculta, embora possa não a ver na altura. Mesmo uma ligeira doença ou um acidente lhe podem mostrar o que é real e irreal na sua vida, o que afinal de contas é importante e o, que não o é.

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Aceitação do Agora

Para algumas pessoas, a palavra rendição poderá ter uma conotação negativa, significando derrota, desistência, insucesso em enfrentar os desafios da vida, letargia, etc. A verdadeira rendição, no entanto, é uma coisa totalmente diferente. Não quer dizer aceitar passivamente toda e qualquer situação em que você se encontre sem fazer nada para a resolver. Nem sequer significa não fazer planos ou iniciar uma acção positiva. Render-se consiste na sabedoria simples, mas profunda, de obedecer e não opor-se ao caudal da vida. O único lugar em que pode ter a experiência do caudal da vida é no Agora, por isso render-se é aceitar, incondicionalmente e sem reservas, o momento presente. E pôr de parte a resistência interior ao que é. A resistência interior é dizer "não" ao que é, através do juízo mental e da negatividade emocional. Torna-se particularmente evidente quando as coisas "correm mal", o que significa que há um hiato entre as exigências ou expectativas rígidas da sua mente e o que é. Esse é o hiato da dor. Se você já viveu bastante tempo, sabe que as coisas "correm mal" bastantes vezes. É precisamente nessas alturas que a rendição tem de ser praticada, se quiser eliminar a dor e o desgosto da sua vida. A aceitação do que é liberta-o imediatamente da identificação com a mente e assim liga-o novamente ao Ser. A resistência é a mente. A rendição é um fenómeno puramente interior. Não quer dizer que ao nível exterior não possa tomar providências para alterar uma situação. De facto, não é a situação global que você tem de aceitar quando se rende, mas apenas o pequeno segmento chamado Agora. Por exemplo, se você estivesse atolado na lama, não diria: "Muito bem, resigno-me a ficar atolado na lama". Resignação não é rendição. Você não tem de aceitar uma situação indesejável ou desagradável na sua vida. Nem tem de se iludir a si próprio dizendo que não há nada de errado em estar atolado na lama. Não. Você reconhece completamente que quer sair da lama. Depois concentra a sua atenção no momento presente sem o classificar mentalmente de modo algum. Significa isso que você não julga o Agora. Por conseguinte, não há resistência nem negatividade emocional. Você aceita o momento tal como ele é. Depois toma providencias faz tudo para sair da lama. A isso eu chamo acção positiva. E de longe mais eficaz do que a acção negativa, que deriva da cólera, do desespero ou da frustração. Até alcançar o resultado desejado, continue a praticar a rendição abstendo-se de classificar o Agora. Deixe-me ilustrar esta questão por meio de uma analogia. Você está a andar de noite por um caminho rodeado por espesso nevoeiro. Mas leva consigo uma lanterna potente que rompe o nevoeiro e abre um espaço estreito, mas nítido à sua frente. O nevoeiro é a sua situação de vida, que inclui o passado e o futuro; a luz da lanterna é a sua presença consciente; o espaço nítido é o Agora. Não se render torna a sua forma psicológica, a concha do ego, mais rígida, criando assim uma forte sensação de separação. O mundo à sua volta e as pessoas, em particular, são considerados como ameaças. Surge a compulsão inconsciente de destruir os outros através de juízos, assim como a necessidade de competir e dominar.

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Transformar o sofrimento em paz

Estar isolado dos sentimentos não é rendição. Mas nós desconhecemos qual era o seu estado interior quando ele disse aquelas palavras. Em determinadas situações extremas, poderá ser impossível para si aceitar o Agora. Mas você terá sempre para si uma segunda oportunidade para se render. A sua primeira oportunidade é render-se em cada momento à realidade desse momento. Sabendo que o que é não pode ser desfeito - porque isso já é -, você pode dizer "sim" ao que é ou aceita o que não é. Depois faz o que tem a fazer, seja o que for que a situação exija. Se permanecer no estado de aceitação, você deixará de criar negatividade, sofrimento e infelicidade. Viverá então num estado de não-resistência, num estado de graça e de leveza, livre de conflitos. Sempre que não conseguir fazer isso, sempre que perder essa oportunidade - ou porque não está a gerar uma presença consciente suficientemente intensa para evitar que surja algum padrão habitual e inconsciente de resistência, ou porque a condição é tão extrema que se torna absolutamente inaceitável para si - então você cria alguma forma de dor, alguma forma de sofrimento. Poderá parecer que é a situação que cria o sofrimento, mas em última análise não é assim - é a sua resistência que o faz. Eis agora a sua segunda oportunidade de se render. Se não puder aceitar o que está por fora; então aceite o que está por dentro. Se não puder aceitar a condição externa, aceite a condição interna. Isso significa: não resista à dor. Permita que ela existe. Renda-se ao desgosto, ao desespero, ao medo, à solidão, ou a qualquer forma que o sofrimento tomar. Observe-o sem o classificar mentalmente. Aceite-o. Depois veja como o milagre da rendição transmuta o sofrimento profundo em paz profunda. É esta a sua crucificação. Permita que seja também a sua ressurreição e a sua ascensão.

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Última Actualização: Setembro de 2004 / Last Edit: September 2004

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